Ponto de vista - e por falar em jornais...

O presidente da entidade acredita que, ao contrário do que se pensou em meados da década de 90, quando houve a explosão da internet no Brasil, a rede tem se mostrado muito mais uma aliada do que uma ameaça. Hoje, a internet significa para os jornais a possibilidade de complementaridade e interatividade, valores imprescindíveis da comunicação nesse século e que até o presente eram difíceis para os jornais.
Como você mensura o impacto causado pela web na mídia impressa?
Nelson Sirotsky: A internet significou um grande impacto não apenas para a mídia impressa, mas para todas as plataformas de mídia, no mundo todo, sob vários aspectos. Tornou mais rápida e instantânea a comunicação, influenciou comportamento, tornou mais exigente o público, afetou o mundo dos negócios, transformou a educação e assim por diante. No caso da mídia impressa, vejo que estamos vivendo um processo de adaptação, em que ainda existem muitas incertezas sobre como será essa convivência. Grandes revoluções tecnológicas, como é o caso da internet, obrigam todos a repensar suas práticas e seus negócios. Não podia ser diferente em relação ao impacto da internet na mídia impressa. O que se pode dizer até o momento é que, ao contrário do que se pensou em meados da década de 90, quando houve a explosão da Internet no Brasil, a web tem se mostrado muito mais uma aliada do que uma ameaça. Hoje, a internet significa para os jornais a possibilidade de complementaridade e interatividade, valores imprescindíveis da comunicação neste século XXI e que até o presente eram difíceis para os jornais.
Existe algo de positivo nesse impacto?
NS: Certamente, é possível concluir que a internet trouxe vários impactos positivos para os jornais. Como já disse, a possibilidade de utiliza-la como ferramenta de complementaridade e para proporcionar aos leitores maior interatividade foi um dos grandes saltos para a indústria de jornais. Além disso, tudo o que nos faz repensar nossas práticas e nossos negócios é positivo. Em função da internet, os jornais aprofundaram seu permanente esforço de melhoria. Cada vez mais procuramos nos identificar como o nosso público e construir uma relação de fidelidade. Estamos melhorando nossos produtos. Os jornais, diante do desafio de outras mídias, buscarão cada vez mais sua vocação: ser um instrumento básico de formação e informação do cidadão. É por meio dos jornais que o cidadão forma os elementos básicos dos seus valores, constrói sua própria cidadania. Nesse aspecto, os jornais são insubstituíveis.
Quais são as estratégias dos jornais para um cenário de extrema convergência digital entre as variadas mídias?
NS: Não devemos ter medo da convergência das mídias, muito pelo contrário. Devemos encarar esse fenômeno como uma oportunidade para avançarmos no nosso negócio de produzir e distribuir conteúdos. Ao mesmo tempo em que modernizamos e atualizamos a mídia impressa, caminhamos também na direção de produzir conteúdo para outras mídias. A leitura dos sites dos jornais brasileiros, por exemplo, tem avançado na mesma proporção do crescimento da penetração da internet no país. Alguns veículos chegaram a atingir seu recorde de leitores, considerando a somatória do consumo de informação em papel e/ou no ambiente online.
O faturamento tem caído, as estruturas ficando mais enxutas, etc. Os jornais brasileiros estão preparados para essas revoluções nos meios de comunicação?
NS:Muitas empresas jornalísticas têm demonstrado que sim. O esforço para ganhar em eficiência tem sido enorme e tem produzido excelentes resultados. Tanto que várias empresas estão investindo em reformulação editorial e em novos projetos gráficos, incluindo o lançamento de dezenas de cadernos segmentados, suplementos, guias e outras idéias.
O que estão fazendo para não sucumbirem?
NS: Os jornais não vão sucumbir. Esta é uma previsão equivocada, alimentada por profetas que a cada ano estão sendo desmentidos pelos fatos. Como já disse anteriormente, os jornais têm um grande desafio pela frente, que é o de se reciclarem e se reposicionarem diante das novas mídias, mas têm feito isso com grande competência. Todos os dias, mais de 390 milhões de exemplares de jornal são lidos por dia. Entre 2000 e 2004, a circulação de jornais no mundo cresceu 4,6 por cento. Ano passado, no Brasil, cresceu 4 por cento. São números incontestáveis, que mostram a nossa pujança e resultado de muito trabalho.
Existe um ''jornal/blog'' coreano que é feito pelos próprios leitores. Como vê esse modelo?
NS: Não conheço. Mas entendo o fenômeno dos blogs como algo muito interessante. Só lembro que jornalismo mesmo tem como grande patrimônio a credibilidade. Pelo que sei, muito desses blogs pretensamente noticiosos, divulgam informações que não se confirmam. É preciso critério e responsabilidade para divulgar informações. Por isso, acho interessante quando jornais, por meio de blogs, buscam maior interatividade com seu público. É o caso, por exemplo, do Estado de S.Paulo e de O Povo, do Ceará, que recebem fotos de leitores para eventualmente publicarem em seus sites e até mesmo no meio impresso. Zero Hora, de Porto Alegre, também já tem experiências nesta área. É importante uma maior interatividade dos jornais com o público e os blogs podem ser um meio para esse processo.
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4 Comments:
Concordo com o Nelson. A Internet é uma grande oportunidade de crescimento para a mídia impressa, no meu ponto de vista. Os veículos impresos devem mudar seu modelo de negócios. O nº de leitores que têm preferência em se atualizar via Web cresce ano a ano e as empresas estão destinando cada vez mais verba para a Web. Eu acredito que os sites de jornais e revistas devem oferecer maior interatividade com o leitor (blogs, aúdio e vídeo, etc.), novos formatos de propaganda online, bem como conteúdos exclusivos que possam gerar interesse de patrocínio por parte das empresas.
Fala Alex, blz? Cara, o discurso é bonito, mas acredita realmente que as publicações impressas já se prepararam para isso? As mudanças, até o presente momento, parecem pífias e pouco significativas para mim.
Abraços
Edu
uhm, nesta edição vcs ouviram o mercado de imagens/vídeos tb? Estou curiosa. Por aqui nada nas bancas ainda. abs
Edu,
Claro que ainda é só discurso, mas algumas publicações já estão dando os primeiros passos.
Fiz recentemente o TCC da minha pós em Marketing sobre o jornal Computerworld e eles já estão dando um grande passo rumo à convergência das mídias impressa e online.
Já é um começo.
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