Ponto de Vista – Ricardo Ribeiro

Cargo Atual: Diretor geral da VipComm
Breve histórico profissional:
Diretor geral da VipComm e responsável por toda a coordenação editorial e comercial da empresa. Já trabalhou como repórter do grupo Folha da Manhã, que edita os jornais Folha de S.Paulo e Agora, e foi colaborador do Grupo Estado, dos jornais O Estado S.Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado, Portal Estadão e Rádio Eldorado. Também tem experiência em assessoria política: atuou como assessor de imprensa no Escritório de Comunicação, atendendo pessoalmente a conta do então candidato ao Senado, José Serra, hoje prefeito de São Paulo, e depois no segundo turno da campanha eleitoral de Mário Covas ao governo de São Paulo. Depois voltou assessorar Serra quando era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso. Coordenou e executou toda a divulgação da equipe Petrobras Lubrax no Paris-Dakar, o maior rali do mundo, e esteve oito vezes na competição, que é disputada no deserto do Saara, na África. Com um notebook na mala, viajou para mais de 25 países fazendo coberturas de ralis, da Europa e África até a Ásia, como China, Mongólia e Cazaquistão. Estudou no Holmes Colleges, na Austrália, e atualmente faz o elo diário entre a VipComm e os clientes, atendendo pessoalmente a todos eles.
1) Vocês lançaram recentemente o VipComm Light. Do que se trata esse serviço e como funciona?
A VipComm Light pretende atender micro e pequenas empresas, atletas amadores, pequenos eventos, profissionais liberais, etc. Acredito que esse target precisa ter algum serviço de comunicação. É fundamental. Repare que estou falando de "comunicação" antes de mencionar "assessoria". O release tem, sim, os dias contatos, como afirmam por aí. Mas também vai durar muito tempo para quem nunca teve nada. Sempre uso o exemplo dos dentistas que trabalham no nosso prédio. Nos últimos dois anos fui em três ou quatro diferentes por causa da minha agenda. Neste período ninguém se comunicou comigo. Nem cartão de aniversário. Ou seja, os dentistas não conseguiram me fidelizar. Hoje procuro o dentista que tem horário livre. Não sei, por exemplo, se algum dele fez curso em Harvard ou importou um aparelho que não faz aquele barulhinho chato. Isso é o que estamos vendendo: comunicação.
O serviço prevê criação, produção e distribuição de releases para mailing específico da networking do cliente e, em alguns casos, também para a mídia, clipping on-line via internet, criação e manutenção de sala de imprensa virtual, administração e criação de mailing, gerenciamento de banco de dados, produção e distribuição de fotos em alta resolução.
Basicamente esse é o resumo do plano Light.
Temos mailing bem selecionado e personalizado. Nada de apertar o "send" nos mailings comprados da Maxpress ou do Comunique-se, que, diga-se de passagem, você e a torcida do São Paulo têm e ao mesmo tempo ninguém tem. Por isso a caixa postal do colega da redação fica insuportavelmente cheia. Afinal, todas as assessorias mandam tudo para o mesmo e-mail. Nossos mailings são feitos de forma personalizada, um a um. Posso ter apenas algumas centenas de nomes, mas são os e-mails pessoais dos jornalistas e não o famoso "buraco negro" da redação vendido pelas empresas de mailings.
Outra coisa: o site da VipComm (www.vipcomm.com.br) permite que o colega jornalista se cadastre e escolha que tipo de release quer receber. É lógico que às vezes escapa alguma coisa e mandamos notícias e fotos de futebol para quem cobre MotoCross, mas no geral acertamos o foco.
2) O valor do fee é muito diferenciado de um serviço tradicional?
Sim, é muito diferenciado. E conseguimos excelente política de preço porque temos bons parceiros comerciais e excelentes fornecedores. Fizemos ótimas negociações e chegamos a um preço considerável. E detalhe: não usamos estagiários no VipComm Light.
Nunca pensamos em fazer concorrência com grandes agências de comunicação. Esse não é o foco. O cliente que procura uma grande agência de comunicação não vai querer contratar a VipComm Light.
3) Não teme ser criticado por "canibalizar" o modelo atual de assessoria de imprensa. Muitas das grandes agências criticam o trabalho de agências menores por cobrarem fee baixo demais?
Não, não estou canibalizando o trabalho de assessoria de imprensa. Estamos dando a oportunidade para quem precisa de um auxílio em comunicação. Em relação a cobrar fee baixo demais, isso é relativo. A VipComm tem clientes que investem bem mais de meio milhão de reais por ano em nosso trabalho. Realmente é baixo, mas acredito que as grandes agências têm um nicho muito específico. E as pequenas idem.
Até entendo a posição das grandes agências, mas elas que tratem então de reduzir custos, sem mexer na qualidade de seus serviços e no número de profissionais, para enfrentar os "pequenos". Elas precisam encarar o mercado como mercado, já que ele fará "preço". E reduzir o preço não é contratar um punhado de estagiários a 300, 400, 500 reais por mês.
Mas é possível fazer redução de custo operacional com pequenos detalhes que no final do ano fazem uma grande diferença. Exemplos: na VipComm evitamos imprimir qualquer coisa para não gastar com energia, toner de impressora, o próprio desgaste dos equipamentos e o papel. Quando é inevitável, e para consumo interno, reaproveitamos as folhas.
E agora estamos investindo no VOIP para reduzir custos com interurbanos, ligações internacionais etc... Sem contar as negociações que podem ser feitas com clipadoras, gráficas, webmaster, webdesigners, etc... No final do ano essas pequenas coisas fazem uma tremenda diferença no caixa da empresa. Como essa diferença consigo pagar bem nossos colaboradores. Como te disse, não temos estagiários.
4) Quantos clientes já fechou nessa modalidade e de quais segmentos?
O serviço é muito novo e é difícil explicar para uma pessoa que nunca teve uma assessoria de imprensa, mas tivemos uma excelente aceitação e estamos negociando com vários potenciais clientes. Primeiro iniciamos as conversas com nosso público, ou seja, pilotos, atletas, participantes da Stock Car, do Rally dos Sertões, atletas olímpicos, etc. Esse é o público que queremos atingir com o Light. Também não perco tempo: médicos e dentistas da minha família, amigos donos de empresa e até a empresa que presta serviço de manutenção no sistema de ar condicionado da VipComm já receberam proposta da VipComm Light.
5) Empresários donos de companhias de micro e pequeno porte exigem muito pelo fee que querem pagar ou pagam?
Quem paga acha que está pagando demais; quem recebe, acha que está ganhando pouco. Será assim até o final da vida. Não tem jeito!
6) Esses portes – micro e pequenas organizações – costumam procurar muito os serviços de comunicação para crescer?
O público da VipComm Light sabe, ou já "ouviu falar", que precisa de um serviço de comunicação. Ele sabe da importância disso. Mas é complicado investir em algo ainda "desconhecido".
7) Qual a saída, ou melhor, que dica você daria para quem tem pouca verba e muita vontade de manter ou criar um trabalho de comunicação e interação com a imprensa?
Façam, façam, façam, façam, façam... O exemplo é simples: você está me entrevistando agora porque recebeu alguma informação sobre a minha empresa. E essa entrevista vai circular e, quem sabe, me trazer novos negócios! Viu só como é simples?
8) Poderia traçar um panorama do mercado de assessorias de imprensa hoje?
Assessoria de imprensa, pura e simples, está com os dias contados. Muitos profissionais antigos, donos das empresas, não estão conseguindo acompanhar a evolução e as exigências do mercado. Esses estarão mortos em pouco tempo. Vai sobreviver aquele que conseguir oferecer novos negócios aos clientes já existentes. Preste atenção nisso: "novos negócios aos clientes já existentes". Você não precisa sair no mercado procurando clientes novos; os seus clientes atuais são carentes em uma série de itens de comunicação.
Leia também as outras entrevistas:
Alexandre Barbosa, editor-assistente de tecnologia do portal do Estadão
Anna Lucia França, diretora da Fonte da Notícia
Cibelle Bouças, repórter do Valor Econômico
Fábio Barros, sócio e gerente de imprensa da Comuni Marketing
Marcadores: entrevista
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